Com a chegada do outono, surgem as baixas temperaturas e o clima seco. Assim como nós, nossos cãezinhos sentem os efeitos do frio: as mucosas deles ressecam e a filtragem de impurezas presentes no ar fica comprometida. Essa combinação pode causar uma série de doenças respiratórias, inclusive a “gripe canina”.

Essa gripe atinge o sistema respiratório canino e pode desencadear outros problemas de saúde. Os filhotes e os animais idosos são mais suscetíveis, visto que sofrem mais com as mudanças de tempo e temperaturas. Como o próprio nome já diz, os sintomas da doença são muitos semelhantes à gripe humana, sendo a tosse o principal deles.

Existem duas cepas (tipos) do vírus causador da gripe canina (Influenza Tipo A): H3N8 e H3N2. Ambos afetam principalmente o sistema respiratório e são extremamente contagiosos. Enquanto alguns cães ficam muito doentes com a gripe, outros podem ser expostos ao vírus e combater infecções sem nunca apresentarem os sintomas da doença.

A doença ainda tem um fator que precisa de atenção: debilita o sistema imunológico do animal, fazendo com que ele fique mais propenso a desenvolver outras doenças em simultâneo. Ainda, é possível que o vírus se combine a uma bactéria e gere o agravamento do quadro respiratório para uma pneumonia, por exemplo.

Sintomas

Antes de falarmos sobre os sintomas propriamente ditos, é importante saber que 2 a cada 10 cachorros infectados não desenvolvem os sinais clínicos da doença, ou seja, não sofrem com ela. Entretanto, esses cães podem contaminar outros animais. 

Cães infectados pelo vírus da gripe canina podem desenvolver duas síndromes diferentes:

  • Leve: esses cães terão tosse úmida e com secreção nasal. Ocasionalmente, a tosse será mais seca. Na maioria dos casos, os sintomas duram de 10 a 30 dias e geralmente desaparecem por conta própria. É semelhante à tosse do canil, mas persiste por mais tempo.
  • Grave: esses cães têm febre alta e desenvolvem os sinais muito rapidamente, podendo, inclusive, desenvolver pneumonia. O vírus da influenza canina pode afetar os vasos capilares nos pulmões, fazendo com que o cão tussa sangue e tenha problemas para respirar. Os pacientes também podem desenvolver infecções bacterianas secundárias, incluindo pneumonia bacteriana. O vírus consegue se associar com bactérias dos tipos Bordetella bronchiseptica, Clamydofila felis e Mycoplasma sp e gerar esse quadro agravado.

No geral, os sintomas característicos são:

  • Tosse contínua (que pode ser confundida com engasgos, eventualmente causando vômitos);
  • Coriza/corrimento nasal;
  • Espirros;
  • Febre;
  • Letargia;
  • Falta de apetite; e
  • Olhos avermelhados.

Ao detectar algum desses sinais, leve o seu companheiro ao veterinário. 

Diagnóstico

Se o seu cão apresentar alguns dos sinais descritos ou houver um surto na sua região, consulte o seu veterinário o mais rápido possível. Muitas vezes, as clínicas locais alertam seus pacientes sobre surtos; cidades grandes como o Rio de Janeiro e São Paulo frequentemente sofrem com isso.

Além de um exame físico, seu veterinário vai pedir um hemograma completo e uma análise das enzimas bioquímicas (sistemas fisiológicos). Geralmente, são observados aumentos nos glóbulos brancos (célula do sistema imune), especificamente nos neutrófilos, um glóbulo branco que é destrutivo para os microorganismos.

Também pode ser que o veterinário peça radiografias dos pulmões do cão para verificar se há pneumonia e, caso ela exista, entender qual é o tipo e a extensão. Além disso, o veterinário poderá usar o broncoscópio para observar a traqueia e os brônquios maiores do seu cão. As amostras de células podem ser coletadas através da lavagem brônquica ou lavagem broncoalveolar. 

Detectar o próprio vírus é muito difícil e geralmente não é necessário para o tratamento. Há um teste de sangue (sorológico) que pode apoiar um diagnóstico de influenza canina. Na maioria dos casos, uma amostra de sangue é coletada após o desenvolvimento dos sintomas iniciais e, uma segunda vez, 2 a 3 semanas depois da coleta inicial para verificar a evolução do tratamento. Por esse motivo, seu cão será tratado com base nos sinais que está mostrando, mesmo que o vírus não seja identificado.

Tratamento 

O tratamento é realizado a base de medicamentos específicos para o grau da doença e que auxiliam o fortalecimento do organismo do animal como um todo. A forma leve da gripe canina é geralmente tratada com supressores da tosse; antibióticos podem ser usados ​​se houver uma infecção bacteriana secundária. Descanso e isolamento de outros cães é muito importante.

A forma grave da gripe canina precisa ser tratada agressivamente com antibióticos específicos (quando identificada a bactéria) ou de amplo espectro (bem mais fortes), além de fluidos e cuidados de suporte. Em casos mais extremos, serão necessários medicamentos específicos para o tratamento de órgãos debilitados devido ao avanço da doença. Nesses casos, a hospitalização pode ser necessária até que o cão esteja estável.

Para alguns cães, a gripe canina é mortal e deve ser tratada como uma doença grave. Mesmo depois de voltar para casa, o cão deve ser isolado (se o tutor tiver outros pets) por várias semanas até que todos os sintomas da gripe canina sejam completamente resolvidos.

Prevenção

Atualmente, as formas de prevenção contra a gripe canina são simples e muito eficazes. Elas giram em torno de duas grandes ações: a vacinação e o fortalecimento imunológico do animal.

A vacinação contra a gripe canina faz parte dos protocolos comuns e iniciais de vacinação de filhotes caninos. Ou seja, basta você se assegurar que o seu cãozinho está devidamente vacinado, principalmente quando você adotar algum companheiro que passou algum tempo nas ruas ou com tutores descomprometidos.

O fortalecimento imunológico pode ser realizado atentando para a boa alimentação do animal e, se necessário, com o reforço de suplementos vitamínicos. Seu veterinário saberá indicar qual é a melhor opção para o seu cachorro de acordo com as necessidades dele.

Além disso, é importante evitar o contato com animais infectados. Qualquer cão com suspeita de influenza canina deve ser isolado de outros cães. Os cães com a forma leve da infecção geralmente se recuperam por conta própria. É importante lembrar que a gripe canina não acomete seres humanos ou outras espécies.

Conclusão

“Gripe” incomoda, mas com a devida atenção ela logo vai embora. Assim como para nós humanos, a doença pode causar muito desconforto e desânimo. Durante o início do tratamento, não se surpreenda se o animal ainda se mostrar cansado e em repouso. Permitir essas ações e não forçar a atividade física do animal são ótimos “remédios” para a recuperação do seu amigão!

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SobreNathalia e um paciente

Nathália é veterinária e, como boa profissional da área, é completamente apaixonada por bichos. É especializada em tratamento intensivo e internação de animais domésticos. Teve bichos sua vida inteira e hoje divide apartamento com duas gatinhas bem peculiares.