Cuidar do seu cachorrinho não é uma tarefa fácil. Pensando em facilitar a sua vida, resolvemos preparar esse guia para abordar um dos tópicos mais importantes da saúde canina: a vacinação. Quais vacinas seu filhote deve receber? Com que frequência seu filhote precisa ser vacinado? Vamos responder essas perguntas (e muito mais!) aqui.

Atualmente, o protocolo de vacinação é o seguinte: filhotes devem receber a vacina múltipla a cada 25 dias (aproximadamente) até os 4 meses de idade. A necessidade de reforçar a dose se dá pelo seguinte motivo: através do leite materno, os filhotes recebem anticorpos mais poderosos do que qualquer vacinação. Após o desmame (45 dias de idade), o sistema do filhote ainda está repleto de anticorpos maternos. 

Esses anticorpos atacam os antígenos de doenças presentes na vacinação. Consequentemente, o filhote não cria imunização. As vacinas são totalmente ineficazes se forem aplicadas enquanto os anticorpos maternos estiverem presentes em quantidades altas no sistema do filhote.

No entanto, os anticorpos maternos tem um “prazo de validade”. Entre 9 a 16 semanas de idade, eles deixam de funcionar. O problema é que não sabemos com certeza quando os anticorpos maternos de cada cão caem. Por isso, a necessidade de três doses da mesma vacina e do intervalo de tempo. 

Isso coloca o veterinário em uma corrida contra os anticorpos da mãe. Para tentar vencer a corrida e garantir que os filhotes não contraiam doenças evitáveis, vacinamos filhotes a cada 25 dias a partir dos 45 dias de vida, até que completem 4 meses (o que resulta em 3 doses). Dessa forma, podemos garantir que estamos os vacinando no momento em que os anticorpos maternos caem para esse filhote. Se você perder uma dose da vacina programada, vá ao consultório do seu veterinário o mais rápido possível para voltar ao cronograma.

Tipos de vacina

Existem vacinas essenciais e não essenciais. As vacinas essenciais são aquelas que todo cachorro deve receber, como as múltiplas e a antirrábica. As vacinas não essenciais incluem doenças que só afetam determinada área ou país (Leishmaniose, “Tosse dos Canis”, Gripe, Dirofilariose e outras). Esses tipos de vacinas são administrados (idealmente) após a vacinação essencial. Para saber se o seu cão vai precisar desse tipo de vacina, seu veterinário vai levar em consideração seu estilo de vida e a área em que você vive.

Sente-se com seu veterinário e converse sobre os riscos para o seu cão. Por exemplo, hoje no Rio de Janeiro a vacinação contra Dirofilariose (verme do coração) está sendo indicada com frequência. Há alguns anos atrás, essa vacina era recomendada apenas se você fosse para determinada região. A maioria das vacinas precisará ser reforçada (isto é, administrada novamente) para ser eficaz a longo prazo. Se o seu veterinário recomendou reforços, não presuma que seu filhote está seguro até que a vacinação tenha sido reforçada.

Os donos de cães pequenos geralmente se preocupam em administrar várias vacinas ao mesmo tempo. Cães pequenos ou filhotes grandes podem ser mais suscetíveis a reações vacinais quando recebem várias doses simultaneamente. Em casos como esse, seu veterinário pode dividir as vacinas, marcando-as para dias diferentes. Você precisará fazer mais viagens ao consultório, mas a segurança e saúde do seu filhote deve ser prioridade.

O que são vacinas múltiplas para filhotes?

Uma vacinação multivalente (múltipla) contém antígenos de doenças diferentes em uma dose única, o que significa que protegerá seu cão contra mais de um microorganismo ou duas ou mais cepas (tipos) do mesmo microorganismo.  As vacinas multivalentes são dadas por conveniência, para que seu filhote não precise ser picado repetidamente.

Duas vacinas múltiplas comuns para filhotes são as conhecidas como “V8” e “V10”. A diferença entre as duas é que a V8 protege o animal contra dois tipos de Leptospirose, enquanto a V10 inclui os quatro antígenos existentes da doença. As outras doenças cobertas pelas duas vacinas são: Cinomose, Hepatite Infecciosa Canina, Adenovirose, Coronavirose, Parainfluenza Canina e Parvovirose. 

Uma curiosidade é que essa é a vacinação básica no Brasil, mas em outros países esse protocolo pode ser bem diferente. A Leptospirose, por exemplo, pode ser considerada não essencial. Além disso, algumas das vacinas para doenças listadas tem uma meia vida maior do que um ano, ou seja, não seria necessário o reforço anual. Entidades internacionais, como a WSAVA (Associação Veterinária Mundial de Pequenos Animais), já publicaram recomendações mais modernas quanto ao período de duração das vacinas. Como no Brasil as doses são unificadas, recomendamos o reforço anual da múltipla. 

As vacinações são seguras para o meu cachorro?

Vacinas básicas como a múltipla e a antirrábica são consideradas seguras para a grande maioria dos filhotes. Para essas doenças, os benefícios da vacina superam seus riscos. Todos os cães devem tê-las em dia, pois essas vacinas os protegem contra doenças muito graves. As vacinas não essenciais também são muito seguras, mas se seu animal de estimação tiver poucas chances de entrar em contato com a doença, provavelmente haverá pouca necessidade da vacina.

No entanto, as vacinas são produtos biológicos e podem causar reações adversas e efeitos colaterais nos cães, independentemente da idade. A maioria das reações é pequena e de fácil gerenciamento. Pode ser uma dorzinha no local da aplicação ou um pouco de febre e letargia (quando o animal fica quietinho). 

Independentemente da idade, se o seu cão estiver doente, as vacinas podem não ser recomendadas durante sua visita ao veterinário. A idéia de uma vacina é estimular a produção de anticorpos a partir de um sistema imunológico saudável. Caso seu animal já esteja doente (pode ser só uma diarreia, inflamação ou qualquer outro problema similar), isso pode comprometer a vacina. Ela pode não apenas ser ineficaz, mas também prejudicial já que vai agir diretamente no sistema imune do seu cão. 

Posso ignorar qualquer vacina para o meu cachorro?

As vacinas para filhotes devem ser administradas de acordo com o cronograma recomendado pelo veterinário e nenhuma das vacinas básicas devem ser ignorada. Dependendo da sua região, algumas vacinas não essenciais se tornam obrigatórias também. Elas estão aí para prevenir doenças que podem ser fatais para os filhotes ou causar doenças significativas, e é por isso que é importante seguir os conselhos do seu veterinário.

Se você tiver dúvidas sobre a segurança de qualquer vacina específica ou se seu cachorro tiver uma reação alérgica a uma vacina, converse com seu veterinário sobre os riscos e benefícios associados a essa vacina específica. Para cães adultos, o reforço é sempre indicado, mesmo se você tem um cão idoso que foi vacinado durante muitos anos. Todos os anos anteriores não excluem a necessidade das vacinações futuras. 

Por incrível que pareça, não existe legislação que obrigue você a vacinar seu cachorro. Talvez você tenha dificuldade em viajar junto do cãozinho, uma vez que é obrigatório apresentar a carteira com as vacinas em dia para viajar de avião. Pode ser também que ele não seja autorizado a frequentar creches e hospedagens. Por isso, mantenha a carteira de vacinas em dia e acompanhe de perto, com um veterinário, a saúde do seu cachorro. 

Se seu filhote já foi vacinado nos conte uma coisa, seu cãozinho é valente ou dramático na hora da vacina? Marque @goappbr nas redes sociais para vermos as suas respostas 🙂

Sobre

Nathália é veterinária e, como boa profissional da área, é completamente apaixonada por bichos. É especializada em tratamento intensivo e internação de animais domésticos. Teve bichos sua vida inteira e hoje divide apartamento com duas gatinhas bem peculiares.